Ausências

Estive distante por mais de dois meses, nesse blog. As minhas postagens que já eram raras ficaram mais ainda. Perdi, nesse movimento, todos os meus leitores.  Cansaço, vida cheia de compromissos, dois empregos, falta de tempo, sono atrasado, mudança de endereço, mudança de trabalho, jornada de trabalho cansativa, absorvente.

Mas agora, estou mais calmo, livre à noite, mais diposto a cuidar de mim e de minha saúde. E isso me importa mais do que qualquer outra coisa, nesse momento: minha saúde física e mental. Talvez eu precise ainda de mais tempo para me dedicar às minhas atividades prediletas, além do trabalho. Minha vida tem sido uma desorganização de coisas, coisas e mais coisas. Um turbilhão varre tudo, mas parece que já se chega ao fim. Algo irá restar disso tudo. Esse algo deverá ser o que realmente importa…

FERIADO

Às vezes no início, às vezes no meio, às vezes no final da semana, o feriado é sempre bem-vindo! Além do alento e do descanso, o feriado tem se tornado, para mim, uma pausa para pensar a respeito do quanto eu tenho me cansado sem necessidade.

Talvez por isso eu me sinta tão inativo no feriado. Eu queria que todo o resto do mundo acompanhasse a minha necessidade de ação e movimento. Mas não… No feriado há poucos lugares a se ir. Todo mundo está de folga e o mundo vira uma chatice, assim como os programas rotineiros de televisão e os filmes que você já cansou de ver ou não tem interesse em começar.

Livro? Para quê? Leitura pressupõe continuidade. E amanhã não haverá leitura, porque a essa hora estará trabalhando. Ou então, na segunda-feira. Assim, as coisas se ajustam. O feriado é uma pausa chata naquela vida cansativa que você costuma ter. Fazer o quê?

GRAND

“That I would be GRAND if I was not ALL-KNOWING”
A. M. That I would be good

Que tal falar sério? Eu estou tão preocupado com a seriedade que as coisas podem adquirir a partir de agora que me sinto amedrontado. O cursor intermitente na janela de edição parece agora repetir a mim a minha responsabilidade, a minha escolha: qual será?

Provavelmente se eu escrevo é porque eu não tive coragem de falar. Não que eu seja assim, mas é porque nesse momento é a única resposta plausível. Queimei todos os meus fusíveis, gastei tudo numa conversa estressante que não resultou naquilo que eu queria. O chato é ter descoberto do jeito que eu descobri. Depois de tudo o que eu disse, o dia se repetiu da mesma forma. De modo nenhum eu consegui, ao menos, sensibilizar a respeito de minhas dores e desgraças. Que continuam sendo alheias a quem as ouve e tudo é mais um problema meu, uma neurose minha, e eu é que sou bobo de reclamar. Só faltou eu escutar que eu tinha sorte de pelo menos ter alguém, já que muita gente não tem ninguém.

Fez-me lembrar, mais de quarenta e oito horas depois, do verso da mesma música acima: “That I would be good whether with or without you”.

Mas como fazer isso real a quem a mim interessa ao menos saber por um momento?

Cansaço

Estou tão cansado ultimamente, que já nem sei mais o que me cansa. Se é tudo. Se é somente algumas coisas e o cansaço se espalha na minha vida… Não sei bem. Só sei que esse cansaço não tem sido em vão. Junto com isso tudo vem uma necessidade inexorável de mudança. E qualquer mudancinha já não me serve mais. Eu quero acordar amanhã com tudo diferente, se possível com o céu de outra cor. Embora saiba que isso é realmente impossível, eu quero que algo mude, seja lá o que for. Eu tenho uma suspeita séria que as coisas da minha vida estão me atrapalhando a continuá-la da maneira adequada, mas ainda não sei exatamente o que e onde mudar tudo. A minha proposta para mim mesmo é não me esconder mais dos meus problemas, das coisas que me atrapalham.
Talvez eu faça uma lista de tudo que me incomoda. Talvez eu publique numa seção de anúncios classificados, talvez eu reúna todos ao meu redor e leia a todos o que me incomoda. Talvez eu me cale ainda mais. Mas uma hora, quer eu tenha decidido esconder, quer eu tenha decidido gritar aos quatro ventos, eu terei de tomar uma atitude ainda mais séria. E o que fazer? Ainda não sei. Então decidi perguntar a mim mesmo o que eu quero e não tenho me conformado com a primeira resposta que me surge. Mas coisas me incomodam e incomodam muito. Tenho passado por problemas sérios, cansaços, mortificações, conflitos, brigas sérias. E queria que isso tudo passasse, para sempre…
Talvez um ultimato a quem me incomoda, talvez alguma coisa. E eu farei. Farei mesmo. E farei logo, assim que eu puder. Se possível ainda hoje. Mas hoje, eu já tenho tanto a fazer… Isso! Talvez seja isso. Coisas demais a fazer. Preciso me desfazer delas, o mais rápido o possível. E dedicar-me a coisas que eu gosto de fazer: ler, desenhar, pensar, criar, imaginar, escrever, passar a limpo a minha existência, folha por folha até que reste um belo livro de páginas organizadas. Talvez falte-me um plano para manter a minha casa organizada, a despeito do excesso de obrigações que me impedem de recolher a roupa suja do chão ou de lavar um prato após a refeição. Mas isso durará pouco. Durará sim… Eu prometo. Pelo menos enquanto eu estiver sozinho, eu farei o que eu puder.
Eu quero o meu tempo de volta, eu quero as minhas coisas no lugar em que eu deixei. Não que alguém além de mim tenha mexido. Mas a minha cabeça está tão cansada que tenho perdido a noção de quando tenho mexido eu mesmo em minhas coisas. Estou cansado, estressado, mortificado por uma porção de coisas que nem eu mesmo sei se estão ou não fazendo isso comigo. Tenho de continuar a perguntar-me tudo. E evitar os rompantes de ódio e de ojeriza que me assaltam de cinco em cinco minutos. Estou diferente, eu sinto. Estou diferente e não consigo agir com o mesmo ânimo e com a mesma vontade de antes. Espero não machucar e nem magoar a ninguém.
Espero também que não me peçam para agir do modo que eu não quero. Espero mesmo. Vamos ver o que vai dar hoje…