<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Blog do Alex</title>
	<atom:link href="http://alexmendes.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://alexmendes.wordpress.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 Jan 2012 10:15:25 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='alexmendes.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://1.gravatar.com/blavatar/b54e5df9db877cdf0995571ac6a4f87a?s=96&#038;d=http%3A%2F%2Fs2.wp.com%2Fi%2Fbuttonw-com.png</url>
		<title>Blog do Alex</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://alexmendes.wordpress.com/osd.xml" title="Blog do Alex" />
	<atom:link rel='hub' href='http://alexmendes.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>A sorte</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2012/01/23/a-sorte/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2012/01/23/a-sorte/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 19:34:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alexmendes.wordpress.com/?p=296</guid>
		<description><![CDATA[Esses dias, ouvindo uma conversa, uma mulher disse que tinha sorte por nenhum dos filhos dela ser gay. Não sei quantos filhos tinha, nem sei se ela se referia exatamente à homossexualidade masculina, apenas, mas achei um absurdo. Uma agressão. Minha reação foi indignar-me com aquilo, a minha vontade foi não de agredir verbalmente, mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=296&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esses dias, ouvindo uma conversa, uma mulher disse que tinha sorte por nenhum dos filhos dela ser gay. Não sei quantos filhos tinha, nem sei se ela se referia exatamente à homossexualidade masculina, apenas, mas achei um absurdo. Uma agressão. Minha reação foi indignar-me com aquilo, a minha vontade foi não de agredir verbalmente, mas dizer umas palavras furiosas em sua direção. Talvez adiantasse. No entanto, não o fiz, uma constatação dolorosa me parou. Ela tinha certa razão. Ela poderia até mesmo estar errada por desmerecer a homossexualidade, ao não desejá-la aos seus filhos. Mas talvez estivesse certa, talvez estivesse, como mãe, a desejar que seus filhos não sofressem o que eu sofri, ou mesmo até pior, porque apesar de ainda sentir as dores do preconceito, sei que as minhas parecem cócegas perto das dores de outros tantos.
</p>
<p>Não consegui continuar a ouvir a mulher. Nem sei como ela terminou aquela frase, talvez a intenção dela fosse mesmo ser preconceituosa, provavelmente. Mas já era tarde demais, dentro de mim já começava a ruir, de novo, aquela paz interior que a gente consegue, à custa de muito pensamento positivo e disposição para a fantasia de um mundo melhor. A realidade dura e fria me incomodava de novo. Era mesmo uma falta de sorte ser gay? Como responder a isso? Respondi que não, imediatamente, não poderia admitir uma coisa dessas, o preconceito não iria me deixar para baixo, eu não iria me tornar um pessimista de plantão, um coitadinho no melhor modelo de autocomiseração.
</p>
<p>Mas cheguei à conclusão que esse discurso positivo não resolveria. De certo modo, não é fácil ser gay. Não é exatamente um azar, na acepção mais clara do termo, mas provavelmente era um problema. Todos ao meu redor não me aceitavam, assim, facilmente. Vivo um período de certa paz com relação a essas coisas, mas é uma paz de Versailles, delicada, onde eu é que perco mais do que quem me circunda. Em nome de uma convivência mais ou menos pacífica, aceito, nem sempre de bom grado, sugestões para não ser e não agir de tantos modos. Ainda me agride muito ver que rapazes respondem com caras feias, palavrões ou gestos obscenos aos meus olhares sobre suas belezas, ainda me dói saber que não poderei, tão cedo, pelo que percebo, ter a liberdade de dar um beijo no meio da rua. Eu conheço gays, conheço mesmo, pessoalmente, que já tem tão interiorizados em si o comportamento de autopreconceito, que aceitam esse tipo de agressão como natural. Homens heterossexuais teriam o direito de agredir verbalmente ao perceber que gays o observam, como se nosso olhar comportasse uma ofensa. Como se gays só pudessem olhar para outros gays, como se houvesse a possibilidade de sabermos disso antes de olhar, como se fosse errado desejar o outro do mesmo sexo. Isso me dói, tipos masculinizados me atraem como ímã. Ofende-me mais ainda saber que eles acham que é normal agredir gays.
</p>
<p>Gostaria de ser mais aceito, de não ter sobre mim uma dezena de regras, sobre meu corpo, minha consciência. Não me sinto confortável nessa posição onde eu posso até ser gay, mas tenho de ser de um modo ou de outro. A maioria das pessoas que me aceitam é porque eu, de certa forma, mimetizo o heterossexual na minha forma de falar, vestir ou de me comportar. Não acho isso tão confortável. Há vetos, interditos, agressões em torno disso. Alguns já tiveram a coragem de dizer que só me toleram porque eu não sou assim, assado, e depois de ouvir isso, comecei desmantelar, conscientemente, esse tipo de proteção. Alguns se referiram a mim como uma pessoa de comportamento normalizado, normatizado. E nessa onda, condenaram as travestis e transexuais, agrediram os de comportamento efeminado. Tanto que eu passei, por conta disso, a tentar, ao máximo, anular uma possível masculinidade forçada que eu pudesse vir a demonstrar. Passei a ser mais espontâneo, mais caloroso, a expressar mais o que eu sinto e deixei de ter certos comedimentos desnecessários. Mas ainda assim fico a imaginar como eu seria se tivesse me desenvolvido numa situação de preconceito zero. Seria agenérico, masculino, feminino? Teria um comportamento de que modo? Como seria uma sociedade com esse nível de aceitação?
</p>
<p>Não tenho exatamente azar em ser gay, como queria aquela mãe que falava perto de mim, mas tenho a sorte desgraçada de não mostrar na cara, no corpo a identidade clara do que sou, minha diferença não salta aos olhos, não sempre. Mesmo quando tento. Tenho o prazer em ser gay, mesmo dentro da cruel ilegalidade em sê-lo, mesmo dentro da transgressão em sê-lo, mesmo sabendo que posso não estar tão seguro, que posso não ser tão aceito, que tenho pagado um preço muito grande por isso. Desde então, comecei a invejar as travestis, as trans, os gays efeminados que eu tenho conhecido, comecei a desejar ser eu mesmo, mas um eu que ainda não veio à tona, que eu estou me esforçando para trazê-lo.
</p>
<p>Quisera agora, e sempre, ter mais do que isso que eu mostro, ser mais do isso que eu mostro e como eu sou torto, aleijado pelo preconceito, fico a questionar se isso tudo que aconteceu comigo foi ou não foi azar. Talvez não tenha sido de todo azar, mas certamente não tenho a sorte do heterossexual que está num mundo que pode ou não cabê-lo. Eu estou num mundo que não me cabe, como se me fora dado por empréstimo e já estão a cobrar os juros dolorosos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/296/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/296/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/296/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/296/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/296/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/296/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/296/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/296/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/296/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/296/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/296/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/296/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/296/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/296/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=296&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2012/01/23/a-sorte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Sobre tais liberdades</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/12/28/sobre-tais-liberdades/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/12/28/sobre-tais-liberdades/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 17:01:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto de opinião]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alexmendes.wordpress.com/?p=293</guid>
		<description><![CDATA[Esses dias me disseram seriamente de que não há tantas liberdades assim para que tanto nos regozijemos na nossa sociedade capitalista democrática. Temos apenas uma ideia a respeito de liberdades individuais que queremos muito que seja real. Não temos essas liberdades de fato. Não me convenci disso assim, facilmente, no entanto, foi muito doloroso ouvir [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=293&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esses dias me disseram seriamente de que não há tantas liberdades assim para que tanto nos regozijemos na nossa sociedade capitalista democrática. Temos apenas uma ideia a respeito de liberdades individuais que queremos muito que seja real. Não temos essas liberdades de fato. Não me convenci disso assim, facilmente, no entanto, foi muito doloroso ouvir isso da boca de um estudante de direito que me afirmou, com toda a certeza desse mundo, que o cidadão heterossexual e católico romano do século XIX, durante o Império de Dom Pedro II, tinha mais liberdade em ser e fazer do que um cidadão comum, eleitor, heterossexual, com todas as contas pagas e com dinheiro no bolso, do século XXI. A princípio me parecia ainda meio improvável, mas depois, durante a conversa, fui acompanhando o raciocínio até me fazer por convencido. O problema principal da nossa ausência de liberdade, ou de liberdades tais, especificadas, é exatamente a quantidade de normas que se impõem hoje sobre o sujeito. No século XIX, apesar da ausência de liberdade de culto, do poder absoluto da monarquia sobre a sociedade, do pouco acesso a cultura e informação, de tantas outras coisas, imperava uma maior liberdade de ação com relação às coisas que ainda não tinham sobre si, legislações específicas mil, normatizações, padronizações, cientificidades, patologizações e imposições de outras tantas maneiras.
</p>
<p>O poder realmente mudou. Se hoje não temos sobre nossos lombos o peso da monarquia, de alguma ditadura, da falta de liberdade religiosa, é porque temos sobre nós tantas outras coisas, outros poderes que nos dominam igual ou mais fortemente do que outrora. Temos algumas liberdades que nos fazem parecer mais livres do que um cidadão de um país muçulmano fundamentalista, mais livres que um cidadão da China, e não percebemos o quanto somos fortemente presos a ideias que nos servem como cadeias, que nos comandam e nos mantêm nos nossos lugares. Estamos tão acostumados com a religião, a medicina, o direito, a educação que não nos importamos mais de sermos mandados por eles, e nos conformamos muito facilmente com o pouco que nos é dado. Aprendemos desde cedo que a nossa maior liberdade é de ter e ser, e na verdade o ter é a única coisa que é largamente permitida, se o indivíduo pode realmente ter algo. E acho que aí temos uma grande chave para a solução desses ou de qualquer problema: temos que ter as coisas. E esse ter só se fará necessário se todos quiserem as coisas que são dadas a ter.
</p>
<p>Além disso, tudo, o que está sobre nós, LGBTTI, ainda é o ranço da religião e da medicina, que ainda pesam sobre nossos corpos. Aliás, toda e qualquer forma de controle que incida sobre nós tem no corpo o seu principal foco de ação. Ainda temos de ouvir de médicos que não podemos ser como somos, fazer o tipo de sexo que fazemos, ainda nos perscrutam como se fôssemos doentes. Apesar de não poderem, atualmente aqui no Brasil, médicos e psicólogos, nos diagnosticarem como doentes apenas pela homossexualidade, a mesma ainda é apontada como fonte de problemas de saúde mental e física, ainda sofremos preconceito por nos tratarem como uma porta de entrada de doenças sexualmente transmissíveis, ainda acham justificável negarem nosso sangue nos centros de transfusão, por receio de ter de testá-lo demais, porque provavelmente precisamos mesmo de sermos testados. Desse modo, a medicina nos relega a um determinado lugar na sociedade, o lugar dos contaminados, nosso sangue não presta, nosso corpo também não. Do mesmo modo, a psicologia nos objetiva como transtornados, esquizoides, promíscuos, mentirosos, cruéis, agressivos, deslocados do &#8220;natural&#8221; esquema de gênero masculino/feminino, criados por um pai ou mãe ausentes, sem limites, por exemplo.
</p>
<p>Mas, o mais importante, é que querem fazer com que pareça que somos livres. Claro que há cem, cento e cinquenta anos, a taxação sobre a homossexualidade era mais pesada. Mas era direta e impossível de ser confundida com qualquer outra coisa: era loucura e pecado infame, abominação. Hoje, a taxação contra a homossexualidade acontece dentro da contradição de que devemos aceitá-la e incluí-la no universo da <em>normalidade.</em> No século XIX, justificava-se matar um/uma homossexual, por vários motivos, entre eles a honra. Justificava-se prender uma mulher adúltera. O indivíduo tinha a noção do que ele poderia ou não ser dentro do universo de poucos poderes em ação, notoriamente o <em>Estado</em> e a <em>Religião.</em> Com o passar do tempo. Estado e Religião tem compartilhado desse poder com o Direito e a Medicina. Pulverizaram-se as concepções a respeito da homossexualidade e do ser feminino. Continuamos sob vários poderes, e todos estão se relacionando contraditoriamente uns com os outros: ora em concordância plena, ora em embativa discordância, ora em leve divergência, ora em concordância implícita. Isso nos torna objeto de vários discursos, cada um com sua postura e sua absoluta <em>vontade de verdade.</em> Embora saibamos que há grupos organizados na sociedade contra a homossexualidade e suas propostas de aceitação, precisamos ser mais que espertos para que possamos perceber as relações imbricadas de poder que nos tentam comandar, aquelas que são manifestas pelos discursos daqueles que supostamente estão ao nosso lado. Enquanto gastamos tempo, muitas vezes necessário, para combater aqueles que se levantam em nome de Deus ou de qualquer outra coisa, não percebemos a sutileza de certas &#8220;verdades&#8221; lançadas sob nossos corpos, principalmente. Não há um espaço onde possamos estar, que estejamos livres de poderes sobre nossos corpos.
</p>
<p>Ultimamente temos visto o quanto a luta pela cidadania LGBTTI tem movimentado uma série de estruturas sociais. Representamos uma ameaça maior do que imaginávamos. O problema não é só deixar a gente ter direitos, e sim o tipo de negociação que tem de ser feita para que nossos direitos possam ser incluídos no rol dos direitos de todos. Isso prova que estamos mesmo debaixo de poderes que não concordam sempre uns com os outros, que mostram que há setores concorrentes na sociedade que se moveram em direção a coisas que, por sua vez, podem contestar vontades de verdade que são necessárias à manutenção de outros poderes.  Deixar que LGBTTI pudessem casar e ter plenos direitos civis e religiosos seria chamar de mentiroso um Deus que ainda domina e se estrutura num discurso poderoso que precisa ainda, nessa atual era em que vivemos, dominar os corpos de seus crentes. Quando eu digo que LGBTTI é normal, é saudável, gracioso e virtuoso aos olhos de Deus, estou a afirmar que quem fala ao contrário é mentiroso. E se esse discurso perder força, teme-se nos meios religiosos que outros tantos percam a mesma força e a religião seja substituída por outra forma de consciência do transcendente. O mesmo vale para a Medicina, para o Direito e a Educação.
</p>
<p>A consciência LGBTTI tende a modificar as coisas mais do que se espera. Não conseguiremos apenas nossos direitos e nossa cidadania, mas conseguiremos modificar a Religião, o Estado, o Direito, a Educação, a Medicina, a Psicologia. Para isso é necessária uma laicização da sociedade, uma vez que o excesso de poderes sobre os cidadãos, quaisquer que sejam, diminui a motilidade, a capacidade de escolha, a possibilidade de uma existência e estética de si éticas. Conseguimos ser menos livres do que um cidadão do Império sob o poder absoluto do rei e temporal/espiritual da Igreja. A <em>governamentalidade, </em>como quer Foucault, faz-nos esquecer de coisas importantes, como por exemplo, que estamos sob o jugo do que é ou não saudável, determinado pela Medicina. Esquecemos que pagamos caro, e até duas vezes, por uma Educação que não forma nossos filhos para entender a diversidade como algo desejável. O cidadão do século XIX poderia escolher desobedecer. E nós, desobedecendo a um acabamos por entrar na esfera da obediência de outro e a vantagem da transgressão pode se esvair porque até a transgressão tem de ser normalizada, normatizada e esteticizada sob padrões tais e tais que não podemos decidir, e não queremos decidir sobre eles.
</p>
<p>Talvez esteja mesmo certo o exagero de se pensar que a cada século estamos menos livres. Mas livres ou não, ainda nos resta a possibilidade de resistir, transgredir, insurgir, embora já haja um gabarito, um modelo, um rol de ações repetíveis para cada uma dessas possibilidades, mas tentemos. O importante é conseguirmos estabelecer as condições para que elas sejam feitas. E acho que merece um prêmio o transgressor que consegue transgredir além da medida já imposta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/293/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/293/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/293/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=293&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/12/28/sobre-tais-liberdades/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>TEMPO</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/11/14/tempo/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/11/14/tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 03:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://alexmendes.wordpress.com/2011/11/14/tempo/</guid>
		<description><![CDATA[Pela primeira vez, desde que eu comecei a blogar, não registro a passagem do tempo e as minhas impressões. Pela primeira vez um ano passa por completo na frente dos meus olhos, sem deixar-me perceber que há dias atrás uns dos outros. Um ano já quase se foi, graças. O ano mais difícil da minha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=292&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pela primeira vez, desde que eu comecei a blogar, não registro a passagem do tempo e as minhas impressões. Pela primeira vez um ano passa por completo na frente dos meus olhos, sem deixar-me perceber que há dias atrás uns dos outros. Um ano já quase se foi, graças. O ano mais difícil da minha vida, o ano mais complicado que eu podia ter. E não há de ser ainda o pior, certamente. Há o ano que vem. Há as coisas que eu comecei e que terei de terminar, há os desafios que eu não consigo vencer de maneira nenhuma.</p>
<p>Se antes eu era pouco ouvido, ouvem-me menos ainda. Ouvem quase nada até mesmo aqueles que mais importavam a mim que ouvissem. Não posso fazer nada contra isso. Não se deve gritar aos ouvidos alheios, não se deve ignorar quando alguém não quer ser ouvido. Espero ter feito bem em não gritar alto, em não me fazer presente quando não queriam. A verdade é que por causa disso, ausente estou para sempre das preocupações alheias. E o tempo passou. Um ano. Inteiro. Não é a música chata da Simone, onipresente nos natais brasileiros, mas é a constatação de que a gente erra, perde, e o pouco que ganha, ainda é passível de arrependimento.</p>
<p>Pela primeira vez na minha vida vi que contar o tempo em semanas e meses já não adianta, vi também que temos um curto e intenso verão, de janeiro a janeiro. Só isso. E o tempo me come pelas pernas. Fazer o quê?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/292/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=292&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/11/14/tempo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Rafinha Bastos e outros linguarudos</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/10/19/rafinha-bastos-e-outros-linguarudos/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/10/19/rafinha-bastos-e-outros-linguarudos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 Oct 2011 18:10:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[pc siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[rafinha bastos]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[silas malafaia]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alexmendes.wordpress.com/?p=289</guid>
		<description><![CDATA[Contra toda a burocracia que há para se conseguir uma chance na TV, qualquer pessoa, com um mínimo de recursos pode se filmar, se gravar e lançar conteúdo na Internet. Isso dá margem para muita coisa. A TV pauta-se por preceitos estéticos definidos, exige certa adequação entre as coisas, exige um nível profissional. Muitos, quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=289&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Contra toda a burocracia que há para se conseguir uma chance na TV, qualquer pessoa, com um mínimo de recursos pode se filmar, se gravar e lançar conteúdo na Internet. Isso dá margem para muita coisa. A TV pauta-se por preceitos estéticos definidos, exige certa adequação entre as coisas, exige um nível profissional. Muitos, quando chegam à TV já são conhecidos em outros meios. Aqui no Brasil, ir para TV significa chegar a um topo, que só se chega com muito talento ou com muito dinheiro. Na Internet, no entanto, não há necessidade de tanto. É muito mais fácil. Mas que se estabeleça, portanto, nessa discussão, a clara noção de que estar na TV e até mesmo no rádio significa fazer algo com qualidade, pelo menos por aqui.</p>
<p>Nesse circuito de prestígios e poderes é que podemos compreender o fenômeno Rafinha Bastos. Engraçado e relativamente bonito, fez carreira com <em>stand-up comedy</em> antes de integrar um programa semanal de relativo sucesso na TV. O maior problema de Rafinha, é a sua suposta e oportunista necessidade de agredir verbalmente, em nome da liberdade de expressão. A licenciosidade que ele encontrou ao fazer piadas acusatórias e difamatórias, ao agredir mulheres, gays e personalidades, por supostamente incitar o estupro encontra barreiras na TV, mas acha na Internet amplo público e canal de expressão. Rafinha Bastos teria supostamente, em entrevistas e declarações, se portado homofobicamente, ao responder a respeito do assédio de homens e mulheres que viessem a achá-lo bonito. Sua piada infame a respeito da “Casa do Heterossexual” ironiza o apoio social dado a gays em casos de risco social, e sugere que heterossexuais teriam o direito de discriminar. Os casos de agressão verbal são maiores e claramente documentados pelo seu microblog. Pessoas como ele são a prova clara de que não estamos nem preparados para uma sociedade mais justa, nem mesmo para uma sociedade mais livre. Nós temos uma sociedade que repudia a justiça por não aceitar a diferença, e por sua vez, temos uma sociedade que repudia a livre consciência, a liberdade de expressão de diversas formas.</p>
<p>Rafinha Bastos foi pego nessa armadilha. A mesma sociedade que censura gays por motivos de moralismo, censura também o blá-blá-blá agressivo de humoristas. Em tese, ele deveria ser, no máximo, taxado por produzir coisas que não agradam o público, mas não. Foi claramente demonizado como o portador dos males da língua. Hostilizado por gays, mulheres, pessoas de bem, Rafinha Bastos segue como uma espécie de mártir às avessas da liberdade de expressão, e tudo isso nos faz pensar se queremos ou não isso. Se podemos ou não ter esse direito. Se esse direito traria paz ou anarquia à sociedade. Esses questionamentos só são possíveis porque o certo é que <em>não temos o direito à livre expressão no Brasil.</em> Não gosto do Rafinha Bastos. Acho que humor pode prescindir de agressão, embora fique preocupado com esse surto de <em>bom-mocismo</em> que insiste em nos afetar no dia-a-dia, ensinando-nos valores e respeitos acumulados em camadas sobrepostas que nos levará inevitavelmente ao silêncio, um dia.</p>
<p>O chato é que a sociedade reage à expressão livre com seus milhares de tabus e preconceitos. Isso é um problema sério, que embora possa calar um pedante como Rafinha Bastos, cala também aqueles que gritam por socorro e que precisam ter voz. Ainda que eu não goste desse humorista, eu me sentiria bem melhor se ele fosse apenas taxado de mal-educado, grosseiro, mau humorista. Eu sei como lidar com isso. Eu consigo pegar o controle remoto da TV e mudar de canal, quando o programa dele começa, eu não compro seus DVD, não o sigo, não vejo seus vídeos. Ponto final. Para mim está resolvido. Por pior que seja Rafinha Bastos, dói-me mais ainda saber que ele está sendo censurado, porque de censura eu entendo muito bem, cresci não podendo dizer o que eu queria, nem para mim mesmo, fingindo que era algo que eu realmente não era. Isso não é legal. Devia-se responsabilizá-lo por seus dizeres, não amordaçá-lo. Se há crime no que ele fez, devia-se cobrar da Justiça que ele pagasse por isso, mas sem forçar a continuidade da falta de liberdade de expressão.</p>
<p>Até porque, tudo o que Rafinha Bastos fez, foi afrontar a moral, os costumes de uma sociedade que se vê representada por uma entidade fantasmagórica chamada “gente de bem”, que se ofende fácil, que se irrita por qualquer merda. Estávamos acostumados a ver gente fazer isso, a falar de outra posição. Se era Dercy Gonçalves, era mulher e mulher não se levava a sério. Se era humorista, fazia-se isso de modo mais velado, se fosse passar na TV. E o problema é que passou na TV. A estética de TV exige uma pasteurização das coisas que vão passar, o que é diferente da Internet.</p>
<p>Continuo a não gostar do Rafinha Bastos, mas é chato que inteligentes como ele tenham que se calar. Nesse meio todo, admiro o Pecê Siqueira. Nada nele o marca como polêmico, agressivo e sua produção abriu espaço para o comum/incomum no <em>mainstream</em>. Ele é feio, vesgo, de visual questionável, mas é dócil e engraçado, ao mesmo tempo que tem um olhar arguto sobre as coisas mais simples, que nos faz pensar porque um cara desses não virou um Rubem Braga ou um Fernando Sabino. Suas crônicas videográficas espantam não só pela fluidez de suas palavras e pensamentos, mas pelo fato de que há uma compreensão do mundo a partir da normalidade, não precisamos da TV e de seus especialistas contratados, não é só de Jabores e Mainardis que temos de depender para entender o cotidiano. No mínimo, Pecê sabe ser engraçado e cativante, diz claramente que odeia música sertaneja e gente que ouve funk no celular alto no ônibus.</p>
<p>A diferença entre Rafinha e Pecê é gritante, mas ambos devem ter seu espaço. A sociedade é que deveria, em tese, estar preparada para a liberdade de expressão e não ao contrário. Enquanto silenciam Rafinha Bastos, deixam Silas Malafaia à vontade, por quê? Só porque ele é pastor evangélico? Agora os religiosos podem mascarar agressões em seus discursos e dizer, enquanto um humorista pode até ser preso por suas piadas? Ou todos falam, ou se calam todos. Assim, pelo menos, a lei se cumpre com equidade. Malafaia tem liberdade, espaço na TV e dinheiro para mentir a respeito de gays, lésbicas, transexuais, travestis, para distorcer a ciência, para impor uma interpretação da Bíblia como verdadeira, para incitar a intolerância sexual e religiosa e ponto final? Só isso? Ninguém vai reagir? Ninguém vai mover processos contra ele? Ninguém vai sair dizendo na TV que ele pode ser preso?</p>
<p>Não vai. E o motivo é porque Malafaia odeia o mesmo tipo de diferente que “a gente de bem” odeia. A única diferença, é que o pastor evangélico em questão fundamenta sua opinião da religião, assume uma posição contrária e beligerante. Ele faz o que muitos não têm coragem de fazer. Não que ele seja certo por fazê-lo. Mas pelo menos ele é um inimigo declarado, não aquele que se porta insidiosamente, por detrás dos panos, movendo-se silenciosamente. Pelo menos não é um delegado de polícia que faz corpo mole a um ato de violência contra minorias. Pelo menos não é um policial que acha que toda travesti é criminosa. Pelo menos não é um pai de família discriminador. Pelo menos não é um redator de novela que insiste em retratar gays estereotipados ou pasteurizados pela opinião da maioria.</p>
<p>Um estreito laço une Rafinha Bastos e Silas Malafaia: a noção de que agredir é normal. Na verdade, não desejo a prisão a ninguém, embora eu queira que a homofobia seja criminalizada. Até porque não se teria problema algum em criminalizar a homofobia, quando se condena alguém por agredir verbalmente outras pessoas. O que não dá é ser crime uma coisa e não ser outra, só por causa da homossexualidade. A agressão é crime porque já é previsto na lei o que pode e o que não pode ser dito a pessoas de modo ofensivo. Agora, quando se trata de homossexualidade, há uma imensa licenciosidade e silêncio. O mesmo que se indigna contra o Rafinha Bastos e seus xingamentos online ou na TV deveria se indignar contra o Malafaia a condenar as minorias sexuais à danação eterna.</p>
<p>Deixemos Rafinha Bastos sofrer, em liberdade extrema, inclusive de falar o que quiser a rejeição de fãs frustrados ou de quem o considera de mau-gosto. Deixemos Malafaia continuar a pregar a sua religião. Mas deixemos também o respeito alastrar, não por imposição agressiva e perniciosa às liberdades, mas pela noção da necessidade de convivência mútua harmônica.</p>
<p>Espero que isso seja de algum modo possível, ou então estaremos a trocar a criminalização da homofobia pela perda de liberdade individual, o que ainda continua a ser lamentável, já que há outras demandas sociais envolvendo a igualdade entre maioria e minorias.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/289/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/289/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/289/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=289&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/10/19/rafinha-bastos-e-outros-linguarudos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O almejar do imposs&#237;vel.</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/08/20/o-almejar-do-impossvel/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/08/20/o-almejar-do-impossvel/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Aug 2011 02:59:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[homoafetividade]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[lgbtti]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://alexmendes.wordpress.com/2011/08/20/o-almejar-do-impossvel/</guid>
		<description><![CDATA[Tenho acompanhado, há algum tempo, uma série de discussões a respeito de relacionamentos, em várias ocasiões, especialmente em fóruns de discussões de grupos do Facebook. Engraçado é que nunca se tem um tópico específico para isso, é verdade. Há uma ausência de abordagens diretas sobre esse assunto. Na verdade é claro que isso acontece desse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=288&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="3" face="Georgia">Tenho acompanhado, há algum tempo, uma série de discussões a respeito de relacionamentos, em várias ocasiões, especialmente em fóruns de discussões de grupos do Facebook. Engraçado é que nunca se tem um tópico específico para isso, é verdade. Há uma ausência de abordagens diretas sobre esse assunto. Na verdade é claro que isso acontece desse modo. O grande chamariz de todas as discussões dentro do universo da diversidade sexual ainda é a homofobia, ainda são os direitos civis de gays, lésbicas, travestis, transgêneros e intersexuais. Falar sobre relacionamentos nesse âmbito seria tocar em assuntos de origem pessoal. Até certo ponto, não haveria porque se discutir coisas de cunho privado e que cada um resolve ao seu modo.</font></p>
<p><font size="3" face="Georgia">Que cada um resolva ao seu modo, até que admito que assim seja, mas que seja algo de todo privado, não o é mesmo. Sobre o relacionamento pesam toneladas de padrões de comportamento que recebemos de fora, e o mais pesado deles, ainda é o modelo heterossexual de família nuclear, baseada em dois progenitores, filhos e parentes organizados em ramos de árvore de relações. Digo isso sem medo de estar a dizer bobagem, principalmente em épocas em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo biológico já deixou de ser uma coisa sublegal, e é reconhecido como um avanço no direito de todos os seres humanos. Já que agora pode, que agora é legal, como vou organizar a minha vida a dois, meu parceiro e eu? Vou importar o modelo de casamento que vi meus pais levarem adiante? Optarei por abordagens menos ortodoxas de união, baseadas em experiências que aconteceram após o feminismo, o flower-power, a era dos hippies, o rock’n roll, as crises do petróleo e a atual crise das economias europeias e da americana também? O que parece ser o melhor?</font></p>
<p><font size="3" face="Georgia">Não sei exatamente o que pode ser melhor a duas pessoas, independentes se são homo ou heterossexuais. O que eu acho é que há coisas que podem e devem ser evitadas, certamente. Minhas sugestões ficam em se rever, ou pelo menos se discutir a respeito de como cada um terá a liberdade de usar seus próprios corpos, em conjunto ou em separado, a forma como cada um deverá viver a sua vida com seus gostos particulares, o que deve ou não ser considerado traição e a responsabilidade que temos com a quantidade de afeição que temos a dar para nossos companheiros. Certamente, os maiores dos problemas de relacionamentos passam por essas coisas que eu disse acima. Principalmente no que tange ao uso do corpo, nós tendemos a repetir os padrões do poder patriarcal sobre o corpo da mulher, mesmo que o nosso parceiro não seja mulher, mesmo que não sejamos as mulheres deles. Assim como tendemos a nos resignar ou a sacrificar necessidades estéticas, sensoriais físicas em nome da convivência com uma pessoa de gostos incompatíveis. Assim como temos a tendência de nos sentir satisfeitos em nossos relacionamentos e querer que isso sempre esteja desse modo, sem exatamente questionar se o outro se sente do mesmo modo, ou de modo parecido ou se pelo menos sente satisfação, e em quê.</font></p>
<p><font size="3" face="Georgia">Hoje, ainda, numa mensagem de perfil de Facebook, um contato desabafava o desejo, e talvez a realidade, de que ele acha certo ter mais de um namorado, mais de uma relação. O problema, ao meu ver, é conseguir ter tempo para tudo isso, não vejo porque haver restrições de origem numérica. Em épocas que relacionamentos monogâmicos mais profundos e comprometidos tiram-nos o tempo e as possibilidades de se ter vida própria e até mesmo de termos companhia e satisfação ao mesmo tempo, ter isso em dobro parece ser algo realmente notório.</font></p>
<p><font size="3" face="Georgia">O que queremos, quando queremos mais do que um é pelo menos um que valha a pena, em muitos dos casos. E nesse âmbito, eu me pego a pensar no que realmente está a faltar num relacionamento: estamos felizes de ter sexo com uma pessoa só, ou pelo menos com o peso dessa regra sobre nossas cabeças? Temos nossos gostos respeitados, nossas vontades de alguma forma satisfeitas? Sentimo-nos traídos quando descobrimos que nossos parceiros demonstram desejo ou afeição por outras pessoas? Temos sido suficientemente alimentados em nossas necessidades afetivas? Temos oferecido afeição de maneira suficiente para o outro? E de que modo outro relacionamento pode nos dar o que falta? É muito a responder, mas é um roteiro seguro para a certeza de se estar num centro confortável de existência como par de outro.</font></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/288/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=288&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/08/20/o-almejar-do-impossvel/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Crendo, ainda.</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/08/10/crendo-ainda/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/08/10/crendo-ainda/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 14:52:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[subjetivação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alexmendes.wordpress.com/?p=282</guid>
		<description><![CDATA[Eu não sou nem ateu, nem agnóstico. Crenças são mais do que penduricalhos que sustentamos por conveniência ou ignorância. E ainda não sofri nenhum trauma forte [marca de quem se ateíza] com religião alguma. Apenas vejo as coisas de pontos de vista diferentes, não tomo as dores de religião nenhuma a respeito de nada, mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=282&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não sou nem ateu, nem agnóstico. Crenças são mais do que penduricalhos que sustentamos por conveniência ou ignorância. E ainda não sofri nenhum trauma forte [marca de quem se ateíza] com religião alguma. Apenas vejo as coisas de pontos de vista diferentes, não tomo as dores de religião nenhuma a respeito de nada, mas não faço o jogo do contrário, isso também é muito reducionismo. Esse é o motivo pelo qual o ateísmo é relegado ao ceticismo neutro e apático: não há compreensão da religião como fenômeno que extrapola os jogos de razão e lógica que supostamente negam a existência de deuses e transcendências. E deuses existem por vários motivos. Chegamos, com a razão, a explicações, mas nunca a compreensão do porque que crenças resistem, continuam, modificam-se, remodelam-se, perder força, reforçam-se e continuam. Mas se não houvessem crenças religiosas, não sei se eu seria mais feliz, se todos seriam mais felizes ou menos enganados. Por trás da crença há poderes em trama. Eles é que são importantes, eles que me preocupam. Sem religiões no mundo, eles ainda existiriam e continuariam a nos sinistrar com seus limites e taxações. O ateísmo, pelo pouco que pude conhecer, alimenta um ódio meio cego pelo transcendente, por Deus, por uma existência da espiritualidade. Para mim, resta uma teoria memética de que o ateísmo é uma forma muito resistente de racionalismo cartesiano, que custa a resistir, subsistindo embaixo dos paradigmas que se modificam, das coisas sem explicação e das milhares de evidências a respeito da espiritualidade em geral. O ateu, infelizmente, ainda se prende a uma noção de racionalidade que é, acima de tudo, perniciosa para o conhecimento, a ciência, para a compreensão de fenômenos que não têm a previsibilidade da Física newtoniana ou a certeza de uma equação algébrica resolvida. Mas demos o braço a torcer. A dúvida instalada pelo ateísmo não pode ser dirimida com esforço de racionalidade. As reações contra os deuses, principalmente todos os que o cristianismo nos tem dado ao longo dos séculos também foi benéfica. Acho que o que falta ao ateísmo é exatamente aprender com sua principal algoz: a religião como se auto-reformular sem perder a sua característica principal e continuar existindo além da cabeça de poucos que se dizem intelectuais e arrotam de silogismos aristotélicos a aforismos nitzcheanos contra algo que ele nem mesmo compreende dentro dos contextos culturais, dos referenciais e das relações de poder que cercam certas verdades a respeito das subjetividades.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/282/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/282/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/282/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/282/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/282/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/282/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/282/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/282/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/282/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/282/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/282/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/282/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/282/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/282/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=282&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/08/10/crendo-ainda/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Amenidades da TV</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/07/21/amenidades-da-tv/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/07/21/amenidades-da-tv/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 02:10:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[homoafetividade]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://alexmendes.wordpress.com/2011/07/21/amenidades-da-tv/</guid>
		<description><![CDATA[Bem, acabei de me levantar da frente da TV não para ficar aqui, no computador, sentindo todo o prazer do mundo em acabar com minhas horas úteis de sono. Na verdade, meu objetivo era outro. Eu tenho de lavar uma horrenda pia de louça que está fedendo de tão velha. E mais: um programa da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=276&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem, acabei de me levantar da frente da TV não para ficar aqui, no computador, sentindo todo o prazer do mundo em acabar com minhas horas úteis de sono. Na verdade, meu objetivo era outro. Eu tenho de lavar uma horrenda pia de louça que está fedendo de tão velha. E mais: um programa da Globo que nunca foi o meu predileto vai abordar um tema que me causa constrangimento.</p>
<p>Estou falando de ‘A Grande Família’, o seriado classe média baixa de comédia da Globo que vai sobreviver a uma hecatombe nuclear, junto com as baratas e a Cher. Nunca gostei da linguagem do seriado. É um humor de curto a médio prazo, com personagens estereotipadas, com pouca rotatividade de caras feito especialmente para que Guta Stresser, Marieta Severo, Marco Nanini, Lúcio Mauro Filho, Pedro Cardoso e Marcos Oliveira tenham emprego fixo. A Rede Globo tem dessas. Pega um elenco estelar como esse, encaixota no formato de um programa que já tem mais de 40 anos que passou pela primeira vez e segue impondo ao telespectador que pode muito bem mudar de canal, por exemplo, para ver as baixarias do reality-show ‘A Fazenda da Record’, ou ficar zapeando entre tantos canais grátis ou pagos atrás de programação mais ou menos.</p>
<p>Mas o programa em si pouco me interessa. O motivo do meu desabafo é outro. Aliás, isso aqui nada mais é que um desabafo. Eu já estou preocupado com o modo como a ficção pretende continuar a tratar o tema da homoafetividade. Que isso virou coisa normal, eu já sabia. Há algum tempo, poderia ser tabu. Hoje não. Qualquer folhetim da Globo está mais do que apto para mostrar casais gays ou lésbicos com naturalidade, não importa o quanto reclamem certos grupos. Mas esse ainda não é o problema com o qual me preocupo. Na verdade, o mais difícil, para mim, é encarar a estética da homossexualidade para a TV. Há alguns anos, os gays eram retratados nos extremos. Ou eram efeminados, geralmente sem relacionamentos aparentes e caricatos, ou eram heteronormativos vivendo vidinhas esterilizadas de qualquer forma de contato ou carinho que passasse de olhares oleosos uns para os outros. Mas os tempos são outros. Hoje, personagens gays, casais ou não estão em toda a programação televisiva, quase. E o motivo do impasse não é mais caricaturar ou sanitizar ao extremo um jeito gay de ser para mostrar na TV. É normalizar por outros meios.</p>
<p>‘A Grande Família’ de hoje mostra um irmão do mecânico Paulão, irmão gêmeo que é gay, escondido por ele de todos seus amigos, e que vai se casar. Não houve estereotipização das personagens, mas um deboche, uma caricatura de um ângulo diferente. Há um casal gay é que é esteticamente estranho, exagerado em certas coisas, quase real, mas impressionantemente impossível de se levar a sério.</p>
<p>Eu acredito piamente que haja gays como os retratados ali. Já vi pessoas dos mais variados estilos de expressão pessoal por meio da moda. Acho até válido e até bonito. Mas todas as pessoas que eu conheço que são daquele jeito não têm a obrigação de serem ridículas, inadequadas, constrangedoras, entre tantas outras coisas. Verdade seja dita. Uma pessoa constrangedora é difícil de se lidar, independente da sua sexualidade. As novelas e programas não parecem querer mudar a forma de retratar os homossexuais. Não há uma pesquisa para se tentar encontrar um ‘average gay’, se é que isso é possível, ou pelo menos colocar pessoas potencialmente reais em cenas potencialmente reais. Nenhuma das minhas vivências como homossexual se aproxima do que é retratado nas novelas. Os gays de Insensato Coração refletem tipos supostamente reais de gays em situações de vida supostamente reais. Com exceção do professor universitário, um dentre todos os gays da novela, e de um garoto aspirante a gay heteronormativo, os outros são caricatos, ociosos e nem sempre podem ser levados a sério.</p>
<p>Contudo é melhor assim do que o estranho silêncio a respeito da homoafetividade que tem reinado no nosso cinema e TV ao longo dos últimos 30 anos. Mas mesmo os atores e autores de novela que são assumidamente homossexuais, não fazem esforços para que os gays por eles criados saiam da esfera da compreensão preconceituosa que ainda insiste em ser a a suposta ‘verdade’ sobre nós.</p>
<p>Os gays de novela parecem, no fundo, serem pessoas ora manipuláveis demais, ora fantásticos demais, ora envolvidos em relacionamentos duvidosos, como o caso do cupincha do vilão trapaceiro vivido por Henri Castelli no remake de O Astro.</p>
<p>Uma outra coisinha, que me incomoda também: a maioria dos gays que eu conheço que têm opinião e capacidade de criticar gostam de dizer que não assistem à TV, pelo menos não à TV aberta e voltada ao grande público. Acho isso uma pena. É necessário que cabeças pensantes nos ajudem a interpretar o que temos visto. Nas poucas vezes que eu acompanhei discussões sobre televisão nas mídias sociais pela Internet, os mais inteligentes e influentes diziam de cara que não gostavam de televisão, que não viam televisão, que desprezavam esse tipo de suposto ‘divertimento de massa’.</p>
<p>Eu acho isso também pernicioso. Se há quem se queira convencer a respeito de fatos sobre a sexualidade humana para que se diminuam preconceitos, esse ‘quem’ é certamente esse grande público, formado por pessoas comuns que exercem força de opinião, por exemplo, votando na desgraçada da bancada evangélica de nossas casas legislativas, que abrem fogo contra nossos direitos de expressão e cidadania.</p>
<p>Ai. Vou parar por aqui. Prometi escrever pouco nesse espaço, já estou exagerando. Não desliguei a TV, não fui lavar a louça ainda, e acabo de ouvir, no programa que critiquei no início desse post, o hit ‘I Will Survive’ da Gloria Gaynor. Ou seja. O estereótipo ainda continua. O meu medo é que, antes que o grande público aceite e peça beijos homoafetivos, simulações soft de transas entre homens e mulheres homossexuais nas novelas, haja uma forçada normalização de outro tipo de comportamento gay-friendly, mas formatado para a mídia televisiva, asséptico, esterilizado, estereotipado e carente de realidade.</p>
<p>Oremos…</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/276/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/276/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/276/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=276&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/07/21/amenidades-da-tv/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Perdendo no final</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/07/19/perdendo-no-final/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/07/19/perdendo-no-final/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 16:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[homoafetividade]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alexmendes.wordpress.com/?p=273</guid>
		<description><![CDATA[Tenho acompanhado com certa tristeza e relativa atenção o desenrolar de casos de violência baseada em homofobia em todo o país, há alguns meses. O problema carece de soluções, já que culpados temos muitos. Entre os culpados, já vi e ouvi citar-se os pais, os adolescentes com sua moral degenerada, a intolerância dos mais velhos, a ignorância [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=273&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<p>Tenho acompanhado com certa tristeza e relativa atenção o desenrolar de casos de violência baseada em homofobia em todo o país, há alguns meses. O problema carece de soluções, já que culpados temos muitos. Entre os culpados, já vi e ouvi citar-se os pais, os adolescentes com sua moral degenerada, a intolerância dos mais velhos, a ignorância dos mais jovens, os parlamentares e sua bancada evangélica, e até mesmo os próprios gays.</p>
<p>Entendo que, qualquer que seja a configuração de família adotada, não há espaço para os LGBTTI nesse nicho social. O nosso maior dilema começa aí. Mesmo sem saber exatamente o que queremos, o que seremos, somos duramente formatados, quase que obrigados a cumprir certos papéis predeterminados na sociedade. O choque contra a família, quer seja o indivíduo LGBTTI, ou não, vem com a adolescência. Nessa época, adolescentes que não pertencem a minorias sexuais já aprenderam a discriminar, agredir e humilhar, mostrando que a moral degenerada que possuem não difere muito da moral austera de seus pais. Parlamentares realmente contribuem para esse estado de sítio em que me encontro, como se eu fosse encarar uma guerra a cada momento que saio de casa ou penso em ser eu mesmo. Impedem a criminalização da homofobia em nome de Deus, aquele que manda amar ao próximo e não faz acepção de pessoas.</p>
<p>Esses dias ouvi de uma pessoa, nem quero que Deus a perdoe, que a culpa disso tudo estar a acontecer são dos gays que insistem em chocar a sociedade com seu jeito de ser. Sinceramente? Essa sociedade anda muito fresca, chocando-se com pouca coisa. O comportamento dos gays deveria ser encarado como algo santo, posto que cada um devia ser respeitado pela vida que traz em si, e não pela forma como consegue expressar seu modo de ser. Não é justo que sejamos duplamente culpados. Não é errado ser como sou. Não é culpa minha quando não gostam do jeito que eu sou. A tal sociedade é que deveria me ver com bons olhos porque independente de qualquer coisa, eu contribuo para a sua manutenção como qualquer um&#8230;</p>
</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/273/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=273&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/07/19/perdendo-no-final/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Religi&#227;o, cren&#231;as e sensatez</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/06/20/religio-crenas-e-sensatez/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/06/20/religio-crenas-e-sensatez/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 23:29:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de opinião]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[foucault]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://alexmendes.wordpress.com/2011/06/20/religio-crenas-e-sensatez/</guid>
		<description><![CDATA[Desde ontem, tenho acompanhado uma discussão a respeito de religião no grupo Queernerds no Facebook. Tudo, claro, começou a partir de uma crítica jocosa a um absurdo que tinha sido publicado na imprensa, uma notícia de que haveria no país um movimento pornô gospel, onde seriam feitos filmes pornográficos dentro de uma moral sexual cristã. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=269&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde ontem, tenho acompanhado uma discussão a respeito de religião no grupo Queernerds no Facebook. Tudo, claro, começou a partir de uma crítica jocosa a um absurdo que tinha sido publicado na imprensa, uma notícia de que haveria no país um movimento pornô gospel, onde seriam feitos filmes pornográficos dentro de uma moral sexual cristã. Sinceramente&#8230; Nem eu acredito nessa. Mas o mais importante é que isso foi palco para discussões a respeito de religião e como gays encaram esse problema, já que para nós, a religião é sim, um problema a se resolver. A maioria nem discute isso, é feliz em não ser religiosa. Outros setores entram na discussão para revidar, já que o discurso religioso nos desqualifiica. Eu não fico de lado nenhum, embora não pense exatamente &#8220;do meu modo&#8221;, como muitos gostam de falar, procuro dar à religião o status de fenômeno, o respeito devido e o reconhecimento do que ela é, desde que eu possa olhá-la como objeto do conhecimento de um ou mais saberes.</p>
<p>A despeito de todas as aparentes burrices e anacronismos por trás do discurso religioso, há uma forma eficiente de poder sobre os corpos que desafia o tempo, que mesmo numa época como a nossa continua a existir com os mesmos preceitos absurdos de há mil ou mais anos atrás. Acho que mais importante do que enunciarmos dez ou mais defeitos do cristianismo, é descobrirmos como ele, toda e qualquer forma de religião se constituem como poder sobre as pessoas. Isso sim adianta para alguma coisa. A atitude do Adilson Ricardo da Silva, por mais inocente que possa ser, em outros locais e outros veículos de informação poderia suscitar reações desagradáveis. Em todo o caso, não tentemos derrubar ou desqualificar a religião pelo raciocínio lógico. Fé e razão não são exatamente a mesma coisa, não se julgam pelos mesmos motivos. Ainda não sabemos porque o homem crê no transcendente, se é algo puramente cultural, se há algo biológico nisso, ou se isso é prova de que o transcendente existe. Fica a dúvida. A razão e a ciência, por exemplo, não são capazes de explicar todas as coisas e nem ao menos de nos consolar da angústia e das incertezas a respeito da morte e do que há depois dela, se é que há algo. Quando questionamos uma religião porque ela tem verdades acientíficas ou sustenta opiniões excludentes a respeito de toda uma humanidade, atestamos, acima de tudo, que essa crença está anacrônica. E isso, para mim, é algo que tem tudo a ver com o que vivemos hoje: temos um milhão de religiões que não acompanharam a evolução tecnológica do homem, deuses arcaicos, antropomorfizados, ateus beligerantes e ressentidos de terem perdido algo emocionalmente com a religião, disputas de terreno entre a religião, o direito, a medicina e a educação, já que os últimos tiraram da mesma religião o poder que tem sobre os homens, atualmente. Religião é poder, é um poder que também é biopoder, porque os homens vão atrás dela por uma vida melhor. Não sei se podemos substituir ou anular as crenças do mundo inteiro, ou ao menos as que nos rodeiam, mas claramente podemos ser éticos e corretos na nossa existência prescindindo ou não dela.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/269/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=269&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/06/20/religio-crenas-e-sensatez/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>ATÉ QUE SE ACABE A ESPERANÇA</title>
		<link>http://alexmendes.wordpress.com/2011/05/13/at-que-se-acabe-a-esperana/</link>
		<comments>http://alexmendes.wordpress.com/2011/05/13/at-que-se-acabe-a-esperana/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 May 2011 09:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexmendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[foucault]]></category>
		<category><![CDATA[homoafetividade]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[objetivação]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[subjetivação]]></category>

		<guid isPermaLink="false"></guid>
		<description><![CDATA[Será que é nisso mesmo que acreditamos? O que esperamos? Por que temos de esperar algo? Esperar é um dom de poucos, já ouvi. Na verdade, esperar é outra coisa. Faz parte de toda uma mística do acreditar em algo. Não interessa se a crença é no humano, no divino, faz parte de um todo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=261&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;" src="http://alexmendes.files.wordpress.com/2011/05/direitosiguais.jpg?w=111" alt="" />Será que é nisso mesmo que acreditamos? O que esperamos? Por que temos de esperar algo?</em></p>
<p align="justify">Esperar é um dom de poucos, já ouvi. Na verdade, esperar é outra coisa. Faz parte de toda uma mística do acreditar em algo. Não interessa se a crença é no humano, no divino, faz parte de um todo social. Certamente, é uma forma de acreditar na vitória de uma luta, uma batalha, ainda que essa aconteça dentro do íntimo do indivíduo em busca da verdade de si, ainda que seja uma luta contra poderes instituídos, prejudiciais, alienantes, discriminadores.</p>
<p align="justify">Então, até que se acabe a esperança, podemos esperar mais e mais lutas, a mística a respeito da crença nas coisas é humana, reproduzível e aprendida, geração a geração, e estimulada, mesmo dentro dos mais agressivos dos ateísmos, mesmo dentro da maior racionalidade, dentro da mais estrita, positiva e previsível ciência. Há que se acreditar, há que se esperar que as coisas deem certo, que sejam, no mínimo, aquilo que desejamos, ao menos em parte. A esperança é passada cabeça a cabeça, mente para mente, sujeito a sujeito, para todos aqueles que, ávidos pela verdade de si, tendo perdido ou não o vínculo com uma religião institucionalizada, acreditando ou não em uma transcendência.</p>
<p align="justify">A espiritualidade está aí, como uma forma de podermos afirmar que o homem está em busca dessa verdade de si, preconizada primeiramente pela religião, mas que, na falta dela, pode ser fornecida por toda uma série de crenças, que, quando se apresentam muito raleadas na dispersão da pós-modernidade, aparecem de modo a não parecer, de cara, uma religião. Assim, muitos de nós creem, por isso militam, unem se partidos, associações, grupos de estudo e debate, leem livros apaixonadamente, reformulam teologias, começam novas religiões ou jamais se desligam da religião, mas a ressignificam, dentro das possibilidades modernas de objetivação e da subjetivação que se apresentam na modernidade, tudo isso para que possamos continuar a ter esperança, achar no futuro, no devir, a motivação para passar pelo árido presente, suas dificuldades e dores cotidianas.</p>
<p align="justify">Nós, gays, ainda continuamos a crer, a despeito de nossas dificuldades de existência, impostas pela subjetivação a que fomos submetidos e a que somos, até certo ponto, submissos. Muitos de nós ainda são clandestinos dentro de um catolicismo ou de um protestantismo que ousamos praticar em silêncio. Muitos gays que eu conheço, e eu sou um deles, entram dentro de Igrejas Católicas de cabeça erguida, participam plenamente de uma missa, mesmo sabendo que há, nesse ato, pelos olhares de muitos, um pecado grave, e saem de lá do mesmo modo, acreditando, rezando, porque já não é mais necessário que, para eu que encontre a verdade a respeito de mim mesmo, eu seja sinistrado pela opinão massacrante de um padre que me ouve em confissão, já que há uma possibilidade de que eu realize, com um Deus imanente e transcendente, uma relação direta, na qual o papel do sacerdote é minimizada na parte essencial daquilo que me fará um sujeito crente.</p>
<p align="justify">Por que isso acontece? Por que é permitido que eu faça isso? Ainda não sei. Não fiz ainda todas as perguntas e nem me esforcei para respondê-las, mas tenho algumas meias-respostas. Em primeiro lugar, acho que, por influência, em primeira mão de outras religiões ou filosofias espirituais, como o protestantismo, o kardecismo ou mesmo as religiões de cunho oriental, as concepções a respeito de um Deus-homem, pessoal, bravo, agressivo, rígido, rigoroso, legislador e judiciário do mundo tem perdido espaço para uma compreensão mais deísta do mundo, a dispersão desse mesmo Deus nos efeitos de sua obra, a despersonalização desse Deus, que também é sujeito e objeto do conhecimento de um saber. O homem moderno pode estar a não ver mais em si a figura de um Deus pessoal e taxativo. Pode ser por isso. Em segundo lugar, diferentes concepções religiosas têm dado, ao longo do tempo, diferentes níveis de responsabilidade ao homem, no tocante à sua salvação. Quando da instituição do cristianismo como religião oficial do Império Romano, era tarefa do homem dar-se ao poder pastoral da Igreja, para que essa pudesse conduzi-lo, não inconscientemente, cegamente, mas por meio da consciência da necessidade de se produzir a verdade do indivíduo, e por meio disso, alcançar-se a salvação. As sucessivas perdas desse poder pela Igreja, a sua divisão com outros saberes e instituições não minaram a fé, não acabaram com a influência da religião, que foi se ocupando de problemas tidos por espirituais. Outras formas de espiritualidade entraram na Europa, aconteceu a Reforma Protestante, e a medida que nos aproximávamos ao fim do século XIX, menos força tinha o Catolicismo Romano e sua disciplina sobre os corpos. Mas essa força ainda é considerável e passível de produzir muito controle. O protestantismo copiou esse modelo da sua matriz, transformando o seu fiel no modelo de ética cristã que entrou século XX adentro. O espiritismo kardecista, sua revelação e todo o seu empirismo e comprobabilidade tão propalados não ficou atrás, ainda hoje é altamente normatizador de consciências, quer vivas ou não, de corpos físicos e astrais, e traz nos seus preceitos e ensinamentos um apelo claro para a disciplina, para a diferenciação dicotômica e clara entre bem e mal, e como o protestantismo, apoia-se na burguesia e exalta seus valores para continuar existindo. O que difere, no meu ponto de vista, é a responsabilidade que é dada ao homem pela sua salvação. Não regressarei até a Patrística, mas posso afirmar com algum grau de certeza, que ao sujeito católico romano que emergia no século da Reforma Protestante, cabia boa parte do esforço para que ele fosse salvo. O Cristo que morrera pelo indivíduo, no Evangelho, agora tem morrido por uma massa disforme de humanidade, e mesmo que nada possa fazer o crente para substituir o sacrifício vicário do filho de Deus, ele tem de correr atrás para não cair no Inferno. A Reforma reavivou teorias teológicas da patrística, como a predestinação calvinista, outras oriundas de heresias já combatidas e supostamente obliteradas, como o anabatismo, o docetismo, o unicismo, o monofisismo, que puseram, em algum ponto, em cheque o papel de Cristo na salvação do homem. Muitas denominações protestantes, notoriamente as calvinistas, apoiam a ideia de que nada o homem deve fazer para ser salvo, já que Deus escolheu de antemão aqueles que vieram, vêm e virão a ser. Outras, enfatizam o fato de que a fé em Deus deve ser mostrada por meio de obras, tais como a caridade ou o esforço do próprio crente em favor da fé. O clero das igrejas protestantes tende a ser laico, o trabalho é difundido entre todos como forma de se louvar a Deus e a evidência da bênção do mesmo. O espiritismo condena totalmente o homem a penar pelos seus atos. A crença em vidas passadas, e que, em cada vida na terra um ser passa por provações, castigos, benemesses e boas oportunidades para a sua evolução destrói completamente a ideia de que alguém se sacrificou pelos pecados de muitos. Para o espiritismo, Cristo não é o salvador do mundo, mas um modelo de salvação, um paradigma.</p>
<p align="justify">Hoje, há uma convivência supostamente harmônica entre todas essas formas de religião. Numa rua, perto da minha casa, há um centro espírita, uma igreja protestante e uma paróquia católica. No mesmo raio de um quilômetro. As pessoas já encaram com naturalidade a diversidade de religiões. Católicos, espíritas e kardecistas chegam falando de um mesmo Deus e de um mesmo Cristo, mesmo que queriam dar ao crente responsabilidades diferentes na sua compreensão da verdade de si que o levará à salvação ou a uma existência melhor no porvir, de qualquer modo. O que fica claro é que o homem ainda passa pela subjetivação em que é culpado dos seus pecados e omissões. O católico tem de se arrepender, confessar-se, cumprir as suas obrigações ritualísticas, o protestante tem de obedecer cegamente à pregação da palavra, dizimar e mostrar que está no meio dos eleitos, espírita precisa de vários esforços de caridade para a sua evolução. Em que acreditar?</p>
<p align="justify">A verdade é que com tanta oferta, com tanta “liberdade”, muitos ficam exatamente onde estão, por não sentirem a necessidade de correr atrás de quem os aceite. Se as religiões cristãs, por exemplo, são discriminatórias e taxativas, eu posso agir contra essa discriminação apenas por evitar de dizer ao padre ou ao pastor os meus pecados que podem por em risco a minha participação no grupo. Na realidade da vida religiosa urbana, padres, pastores e outros tantos responsáveis pelas religiões podem não ter tempo e nem disposição para investigar vida por vida de cada fiel, para barrá-los à comunhão. E caso alguém se ofenda com palavras ouvidas em púlpitos, altares e palestras abertas, há a opção de acreditar no que for mais conveniente, ou compor uma fé ritualizada a partir da <em>bricolage</em> de elementos diversos de uma ou outra crença.</p>
<p align="justify">Posso ser espírita, maçom, místico, umbandista e continuar a comungar na missa, mesmo que padres achem errado. Posso continuar a frequentar os cultos e contribuir com dinheiro ou trabalho voluntário onde, muitas vezes, isso é muito importante e desejado. Só não posso sair por aí sendo “eu mesmo”, como já ouvi muitos dizerem. Basta um mínimo de discrição.</p>
<p align="justify">Entenda-se ser “eu mesmo” o agir como homossexual de modo aberto. Casais gays não costumam ir a missas de mãos dadas, não se beijam em praça pública com frequência, não casam no religioso nas Igrejas Romanas ou Evangélicas Protestantes, Pentecostais ou tantas outras. As exceções nem sempre são procuradas com esse fim. A Igreja ainda é taxativa e proibitiva e o kardecismo não vê com bons olhos as minoriais sexuais no exercício de sua subjetividade. No entanto, a objetivação do sujeito no exercício da sua espiritualidade não é mais domínio de um só saber religioso ou mesmo dos saberes religiosos, apenas. Se por um lado, um ecumenismo às avessas parece aparecer como uma forma de reação à falta de piedade de todos os religiosos, uma crença correndo paralela à oficial, há na verdade a transversalidade dessa forma de crença e de outras, que parecem se opor à tradição religiosa excludente.</p>
<p align="justify">Assim temos os hedonistas, os arraigados na heteronormatividade, os militantes reacionários, todos imbuidos da mesma esperança do religioso: a de encontrar nessas práticas a verdade de si. Ainda que importe sobremaneira o que objetiva o sujeito homossexual, claramente isso não é mais privilégio da clínica e da religião. O sujeito emerge de outras formas de objetivação, que detém também o poder pastoral que o Estado havia integrado da religião, no século XVI. Se Foucault, em 1982, escreveu que as Igrejas Católicas e Protestantes assistiram à difusão de seu poder a todo um corpo social institucionalizado, posso afirmar que há, no caso das minorias sexuais, instâncias em processo de institucionalização que, no momento em que esse texto está sendo escrito ainda são vistas como formas de resistência, mas que aos poucos, tem conseguido impor sua existência e influência, no lugar de outras instituições como a família, a medicina, a psiquiatria, a educação e os empregadores.</p>
<p align="justify">Desse modo, tem-se sempre algo que gera a esperança no porvir, retroalimentada pelas formas de resistência que ainda continuarão a existir. Há uma luta em curso pela igualdade entre heterossexuais e LGBTT. Provavelmente mais avanços nesse sentido gerarão mais insatisfações, já que a luta pelos direitos dos LGBTT que venha a levar a uma equiparação de direitos pode gerar práticas de subjetivação normatizadoras, e o que ainda não sabemos é se, após a tão propalada liberdade, teremos identidade, já que essa é outra faceta do poder pastoral, uma “tática” sua é apelar para a individualização, mesmo que tenha, em seu outro polo, o apelo para a globalização assujeitadora.</p>
<p align="justify">Se o poder é resultado de um consentimento sem consenso, percebo claramente que aqueles que lutam pela igualdade, lutam para que possam todos estar no mesmo ponto dentro da esfera do poder. O que ainda não vi, não li e não ouvi ninguém falar é que a igualdade entre nós e os heterossexuais é necessária, porém indesejada, porque podemos não querer ser tão livres quanto eles são, uma vez que entendemos que somos menos. Não é ainda plausível, justo e natural que nós, LGBTT desejemos uma ordem que nos caiba, uma democracia que conte conosco, uma ética do que é bom para si, um Estado que não normatize aquilo que eu posso ser, como posso ser e ainda não cumpra com o mínimo que ele mesmo promete em suas legislações e modelos administrativos.</p>
<p align="justify">No entanto, para que ninguém pense nisso, porque tudo tem de ser feito passo a passo (tem? Onde está escrito?), a esperança de um mundo melhor vem para substituir a reflexão contínua. Deixemos para as outras gerações. Eu, no entanto, quero continuar pensando, remexendo, até que a mínima das esperanças se acabe, e no lugar delas, haja possibilidades claras de ação do sujeito em ética e verdade de si diferentes das atuais.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/alexmendes.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/alexmendes.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/alexmendes.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/alexmendes.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/alexmendes.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/alexmendes.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/alexmendes.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/alexmendes.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/alexmendes.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/alexmendes.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/alexmendes.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/alexmendes.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/alexmendes.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/alexmendes.wordpress.com/261/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=alexmendes.wordpress.com&amp;blog=8093674&amp;post=261&amp;subd=alexmendes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alexmendes.wordpress.com/2011/05/13/at-que-se-acabe-a-esperana/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/d4e53ff4b19bac6e7a56ce74fc166380?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alexmendes</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://alexmendes.files.wordpress.com/2011/05/direitosiguais.jpg?w=111" medium="image" />
	</item>
	</channel>
</rss>
